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Missão no Gelo: O Cimento Invisível dos Alpes está Colapsando?

 

Estar a mais de 3000 metros de altitude, no Passo del Madriccio (na fronteira entre o Vale Martello e o Vale da Solda, na Itália), é uma experiência impressionante. À primeira vista, quem olha para essas montanhas enxerga apenas um cenário imponente de rochas expostas, neve e vento constante. Mas debaixo dos meus pés acontece um dos fenômenos mais críticos, complexos e invisíveis do nosso planeta: o colapso do permafrost alpino. 



Neste post, quero compartilhar com vocês os bastidores dessa missão de campo geofísica e explicar por que entender o permafrost é crucial para a geologia, a geofísica e a engenharia moderna. 


Afinal, o que é o Permafrost Alpino? 

Existe uma confusão muito comum de achar que permafrost é uma geleira exposta. Não é. O permafrost é o solo, o cascalho ou a rocha que permanece congelado, a 0 °C ou temperaturas ainda menores, por pelo menos dois anos consecutivos. Na prática, ele funciona como um verdadeiro cimento invisível: a água infiltra nas fraturas da rocha, congela e consolida a estrutura de toda a montanha, mantendo paredes rochosas de centenas de metros de pé há milhares de anos. O fenômeno é puramente térmico. 

O papel da rocha e a Crioclastia 

A geologia local do Passo del Madriccio faz parte de uma unidade tectônica composta por rochas metamórficas, como micaxistos, quartzitos e gnaisses. Essas rochas apresentam uma foliação marcada, ou seja, planos paralelos de fraqueza. Quando a água entra nesses planos e congela, ocorre o fenômeno da crioclastia (ou congelamento e degelo): 

  • A água líquida entra nos poros e fraturas da rocha. 
  •  Ao congelar, o gelo se expande cerca de 9% em volume. 
  •  A pressão exerce uma força massiva sobre a rocha, fragmentando-a em cascalhos (debris) que alimentam os rock glaciers.
Os "Rios de detritos": Rock Glaciers 

Ao caminhar pela encosta, notam-se feições onduladas que parecem rios de pedras congeladas na paisagem. Esses são os rock glaciers. Tratam-se de corpos de detritos rochosos que "surfam" sobre um núcleo interno de gelo, movendo-se alguns centímetros por ano. 

Como identificas a atividade de um Rock glacier em campo? 

  • Ativo: Frente muito íngreme, instável e sem vegetação (indica movimento ativo e abundância de gelo interno). 
  • Inativo/Fóssil: Frente de rampa suave, com rochas colonizadas por líquens (sinal de que o movimento cessou e o gelo interno está desaparecendo). 
Em Madriccio, a transição de corpos ativos para inativos está se acelerando, revelando o derretimento do gelo interno. 

O Efeito do Aquecimento Global 

Os Alpes estão aquecendo cerca de duas vezes mais rápido que a média global. Com o aumento de quase 2 °C registrado na região desde a era pré-industrial, o permafrost profundo está entrando em uma fase isotérmica (próximo de 0 °C). Quando a rocha atinge essa temperatura crítica: O gelo perde sua resistência mecânica e sua capacidade de adesão. A água de degelo satura o solo e lubrifica as fraturas. A montanha perde a coesão e se transforma em uma potencial "bomba relógio". O colapso do permafrost traz consequências diretas para a sociedade: 

  1. Desabamentos maciços de rochas e fluxos de detritos (debris flows) que ameaçam vilas e trilhas nos vales. 
  2.  Instabilidade em estruturas de engenharia: Torres de teleféricos e estações de esqui construídas sobre o permafrost começam a inclinar. 
Em alguns locais dos Alpes, engenheiros chegam a realizar injeções de nitrogênio líquido a mais de 100 metros de profundidade no solo para tentar re-congelar e estabilizar artificialmente as fundações, uma intervenção cara e complexa. 

A Geofísica no Campo: Investigando o Invisível 

Como o permafrost fica escondido no interior do maciço rochoso, a Geofísica é a nossa principal ferramenta para mapear e monitorar essa degradação. Métodos como a eletrorresistividade (ERT) nos ajudam a diferenciar visualmente rocha saturada com água doce de rocha congelada com alto teor de gelo. 

Assista ao Vídeo Completo da Missão 

Para ver de perto as paisagens do Passo del Madriccio, os glaciares de rocha e todos os detalhes explicados direto do campo, confira o vídeo que gravei para o canal:



Bastidores do Pré-Campo: O que faz um Geofísico ?

 

Se você imagina a rotina de um geofísico apenas analisando dados em um escritório climatizado, os bastidores de um trabalho de campo nas montanhas do norte da Itália vão mudar completamente a sua visão.

Faltava aqui no blog um post de uma intensa jornada de aquisição de dados geofísicos em altitudes que desafiam o corpo e deslumbram os olhos. Quem vê as fotos bonitas das montanhas do norte da Itália não imagina o sufoco que é o dia a dia de um geofísico no campo. Hoje vou contar o relato exato do que aconteceu no nosso segundo dia de campanha. O que era para ser uma manhã normal de aquisição de dados virou uma verdadeira missão de resgate de equipamentos e veículos após uma tempestade avassaladora.


1. O Despertar na montanha e a Logística de Campo

Acordei cedo no hotel após uma noite curta (havíamos chegado muito tarde no dia anterior). Da janela do quarto, o som alto do rio logo abaixo já denunciava que muita água tinha descido durante a noite.

Tomei um café da manhã reforçado e comecei a preparar a mochila com um pressentimento de que o dia seria complicado: agasalho de frio, corta-vento para chuva, capacete (sertanejo) de segurança, notebook e meias reservas. A previsão indicava que uma tempestade severa chegaria por volta de 13h, então precisávamos correr contra o tempo.

Para chegar até a área onde estavam nossos equipamentos e os veículos de apoio (a Hilux e o Defender), tivemos que pegar dois teleféricos (funivia) e cruzar uma ponte tibetana suspensa. Lá de cima, a quase 3.000 metros de altitude, a realidade nos deu um soco no estômago.

A chuva da noite anterior tinha sido muito mais violenta do que prevíamos. Conforme subíamos, começamos a ver os estragos: a força da água havia destruído encostas e causado deslizamentos severos de terra e rocha. A estrada principal de acesso estava completamente interrompida por toneladas de detritos e lamas acumuladas. Era impossível passar normalmente.

Nossa missão principal mudou de foco: precisávamos acessar a área, recuperar os carros e movê-los para um local seguro antes que a tempestade da tarde piorasse tudo de vez.

Caminhando a pé pelos depósitos de detritos, passamos por cenários que pareciam um livro de geologia aberto,  com dobras e falhas incríveis nas rochas, mas a atmosfera era de pura tensão. O gelo do verão estava derretendo rápido e, a cada poucos minutos, ouvíamos estrondos assustadores ecoando no vale: eram pequenas avalanches e desprendimentos de rocha acontecendo bem perto da gente.

Quando finalmente alcançamos as caminhonetes perto do refúgio, o desafio foi técnico e braçal. Tivemos que manobrar os veículos em um espaço curtíssimo, na beira de um penhasco assustador, desviando dos blocos de rocha e da lama que cobriam o caminho. Foi o famoso trabalho de muita paciência, tração 4x4 e precisão milimétrica para não perder os carros montanha abaixo.

Apesar do susto, do bloqueio da estrada e da neblina densa que começou a descer e apagar toda a visibilidade, conseguimos retirar os veículos da zona de risco e reposicioná-los em segurança. No caminho, ainda deu tempo de recolher uma amostra de rocha para a minha coleção (faço isso em todo campo no norte ou sul da Itália).

Esse dia foi uma prova real de como as mudanças climáticas estão intensificando os processos naturais nas montanhas. O que parecia uma estrada sólida ontem virou um rio de rochas hoje. Na geofísica, a gente planeja a coleta de dados, mas é a natureza quem dita as regras do dia.

Confira o vídeo aqui:





Poluição plástica gera novas rochas em ilha brasileira

 
A partir do desenvolvimento tecnológico, a produção e consumo de novos materiais tem aumentado significativamente. No entanto, essa mudança tem ampliado a capacidade de os seres humanos influenciarem o ciclo geológico da Terra, tornando-nos capazes de alterar irreversivelmente esses processos.

Parcel das Tartarugas onde as rochas plasticas foram encontradas

A poluição, especialmente no ambiente marinho, causada principalmente pelo lixo plástico, tem gerado impactos negativos na fauna e flora do ambiente terrestre. A descoberta  realizada durante atividades de mapeamento geológico e posteriormente  publicada por pesquisadores de diversas instituições brasileiras, incluindo a Universidade Federal do Paraná (UFPR), no periódico Marine Pollution Bulletin, da plataforma ScienceDirect (Elsevier). A pesquisa aponta para um fato alarmante: o homem está atuando como agente geológico e ocasionando a geração de novas rochas, a partir da poluição marinha, no Parcel das Tartarugas, região da Ilha da Trindade. Isso é um sinal da nossa crescente interferência nos processos naturais do planeta.

A Ilha da Trindade é uma ilha vulcânica localizada a 1.140 quilômetros de Vitória (Espírito Santo) e é uma importante reserva marinha do Atlântico Sul. A região abriga uma grande quantidade de vida marinha, como a tartaruga-verde e os recifes de corais. No entanto, a presença de plásticos tem afetado gravemente esse ecossistema frágil e único.
Sabemos que o lixo plástico tem afetado tanto a fauna como a flora do ambiente marinho, mas também temafetado diretamente a saúde humana. A ingestão de peixes contaminados pode causar sérios problemas de saúde, além de afetar a economia de regiões que dependem da pesca. Além disso, a poluição plástica tem causado impactos negativos em toda a cadeia alimentar, afetando desde micro-organismos até animais de grande porte.

Depósitos plásticos na orla do Parcel das Tartarugas



Se nada for feito para mudar essa situação, as consequências para o futuro serão desastrosas. O aumento da poluição plástica pode levar à diminuição de espécies marinhas, à perda de habitats naturais e ao colapso do ecossistema marinho como um todo. Além disso, a poluição pode afetar a economia e a qualidade de vida das pessoas que dependem dos oceanos.

É necessário que todos nós façamos a nossa parte para reduzir a poluição plástica nos oceanos. É importante que as empresas sejam responsáveis por seus resíduos, que os governos implementem políticas públicas para reduzir o uso de produtos plásticos descartáveis e que os indivíduos sejam conscientes em relação ao seu consumo e descarte de plásticos. Juntos, podemos trabalhar para proteger e preservar o nosso planeta.


Imagens do Ciência UFPR
Acesso: 21/02/2023

Pesquisadores encontram rochas formadas por plástico na Ilha da Trindade - Ciência UFPR

Plastic debris forms: Rock analogues emerging from marine pollution - ScienceDirect


Nova hipótese sobre sequências de eventos que originaram a Lua

 
No dia 31/10/2016 foi publicado um trabalho na revista Nature  acerca de uma nova explicação de como a lua chegou onde está.  A revista Nature sempre gosta de fazer (ou tenta)  esses tipos de publicações "impactantes", embora eu tenha preferência por artigos de outras revistas menos alarmantes. 
A grande questão é que nesse artigo " Tidal evolution of the Moon from a high-obliquity, high-angular-momentum Earth" ( http://sci-hub.bz/10.1038/nature19846)  é apresentado um modelo de evolução começando com a lua em uma órbita equatorial de rápida rotação e grande obliquidade terrestre. De certa forma isso traz certas indagações naquele modelo atual conhecido como o " Impacto Gigante".

No modelo Impacto Gigante, basicamente  um corpo do tamanho de Marte impactou a Terra primitiva há cerca de 4,5 bilhões de anos, esse impacto ejetou para o espaço uma grande quantidade de massa tanto da Terra, quanto do corpo impactante, o impacto fez com que aumentasse a rotação da Terra (um dia de 5 horas) e inclinou o plano orbital para aproximadamente 23º. Logo a Terra foi se reconstituindo, enquanto que a massa ejetada foi se agregando para formar a Lua. Durante milênios a Lua foi se afastando da Terra  e isso  fez com que  a rotação terrestre diminuísse, deixando o dia em 24 horas. Nesse modelo, a Lua deveria estar em órbita sobre o equador terrestre, entretanto a órbita atual da Lua está inclinada 5º fora do equador, e isso significaria que a quantidade de energia prevista nesse modelo de grande impacto deveria ter sido maior e possivelmente responsável pela mudança da órbita lunar.



Em 2012, um dos autores desse novo modelo  (Sarah Stewart) propôs que parte do momento angular do sistema Terra-Lua poderia ter sido transferido do sistema Terra -Sol, o que implica em mais colisão energética no início do processo. Nesse modelo de 2016, uma colisão de alta energia deixou uma massa de material vaporizado e derretido, a partir do qual formou a Terra e a Lua. A Terra foi se formando girando a partir de um dia de duas horas, com o eixo apontado para o Sol. A colisão deveria ter sido mais energética do que a atual hipótese, o material da Terra e do corpo impactante teriam se misturado entre si, e ambos ( Terra e Lua) foram condensados a a partir do  mesmo material, e por consequência tendo uma composição semelhante.


Devido às forças de maré, o momento angular foi dissipado . Assim, a Lua foi se afastando da Terra até chegar a um ponto chamado de "Plano de Transição de Laplace" onde as forças da Terra na Lua se tornaram menos importante do que as forças gravitacionais do Sol. Isso causou a transferência do momento angular do sistema Terra-Lua para o sistema Terra-Sol. Entretanto, não fez grande diferença na órbita da Terra em torno do Sol, mas possibilitou que a Terra "virasse verticalmente". Nesse ponto que os modelos construídos apresentam a Lua na órbita da Terra em um ângulo elevado, inclinada no equador.

Ao longo de milhões de anos a Lua continuou a se mover lentamente, afastando-se da Terra, até que chegou a um segundo ponto de transição, "Transição Cassini",  no qual o ângulo de inclinação  entre a órbita da Lua e do equador da Terra caiu para cerca de 5º, colocando a lua na órbita atual.  



Oziel Araújo
Oziel Araújo, geofísico pela Universidade Federal do Pampa, 
mestrando em Geologia Ambiental pela Universidade Federal do Paraná.

O segundo núcleo da Terra

 


Não um, mas dois núcleos. Um interno ao outro: o núcleo da Terra revela um segredo surpreendente e as ondas sísmicas provocadas dos terremotos se tornam um instrumento de pesquisa do grupo Sino-Americano, publicado na Nature Geoscience. 

Utilizar as ondas sísmicas produzidas no trajeto de um terremoto para estudar a parte interna do  núcleo terrestre. Essa é a ideia que guia a pesquisa de Tao Wang, Xiadong Song e Han  Xia, três pesquisadores das Universidades de Nanchino (Institute of Geophysics and Geodynamics, State Key Laboratory for Mineral Deposits Research, School of Earth Sciences and Engineering) e autores  de Illinois.

A estrutura e o comportamento do núcleo interno do planeta que habitamos pode ser bem mais complexa  do que havíamos imaginado. Dois núcleos, um interno ao outro, com características que se confirmadas poderão abrir novos cenários nas informações e o desenvolvimento do nosso planeta.

Havendo dimensões inferiores àquelas da Lua, por exemplo, o núcleo interno-interno da Terra apresenta características completamente diferentes daquele núcleo sólido  de ferro que imaginávamos. Os cristais de ferro se separariam ao estrato externo do núcleo e seriam alinhados direcionalmente segundo as direções Norte-Sul. Diferente do núcleo interno: alinhado perpendicularmente nas direções Leste-Oeste e provavelmente composto de um cristal diferente do ferro.

Nos encontramos exatamente no centro da Terra, muito mais além do que Jules Verne pudesse imaginar. Para chegar a esta profundidade os pesquisadores chineses se serviram das ondas sísmicas geradas dos terremotos. Como em âmbito da medicina, os médicos se servem do ultrassom para ver ao interno do corpo do paciente, no âmbito da geociência, os geofísicos têm conseguido executar uma varredura do planeta utilizando os dados recolhidos a partir de terremotos

Leia mais em  Estadão.



Oziel Araújo
Oziel Araújo, graduando em Geofísica pela Universidade Federal do
 Pampa - Caçapava do Sul, Brasil.


Transformada de Fourier

 
Ainda esta semana estivemos  tentando encontrar um jeito diferente (e infelizmente menos confiável) de extrair a Anomalia Bouguer Residual (ABRd) da Anomalia Bouguer Total (ABT), eis que veio o ajuste polinomial na plataforma Surfer e a digitalização (ponto a ponto equidistantes) da curva desse polinômio, a Anomalia Bouguer Regional (ABRg). No entanto, a ABT quando extraída da plataforma Global Mapper, possuía 1025 pontos de amostragem, enquanto aquela digitalizada no Surfer apenas 54, tendo então um vetor de size 1025 (ABT) e outro de 54 (ABRg). Resumindo, desse jeito a extração da ABRd da ABT não seria nada amigável. Foi então necessário utilizar o MATLAB para interpolar esses pontos que faltavam no vetor de ABRg.

Após interpolação e efetuada a operação (ABRd = ABT - ABRg ), eu me perguntei "PRA QUE ISSO?, onde é que tá Fourier?"

Figura 1. Pra que isso?


Esse trabalho nem tão confiável poderia ter sido simplificado apenas com a aplicação da chamada Transformada de Fourier. Justo, devido ao fato de que, para nós da Geofísica, as n-Transformadas são rezas/orações diárias.

Mas... o que são essas ditas Transformadas, e o que é essa Transformada de Fourier?


Figura 2. Você está fazendo isso errado.

Primeiramente, Fourier era um cara um tanto esperto, isso sem sombra de dúvidas.  Jean-Baptiste Joseph Fourier era um físico-matemático francês que morreu em 1830. Aqui tem um pouco da vida dele.

Quando estudamos Operadores Lineares e suas Transformações Lineares em Álgebra Linear ( com todos os seus conceitos de função entre dois espaços vetoriais e afins) chegamos ao final para descobrir que  essas operações têm por objetivo sair de um espaço para o outro basicamente, isto é, de um domínio para um contradomínio. MUDAR SEU PONTO DE VISTA! (Guarde isso).

A Transformada de Fourier é um dos artifícios matemáticos mais bem aplicados, isso porque suas aplicações estão presentes nos diversos campos que vão desde a "simples" compressão de uma imagem formato .jpeg à física quântica. Fourier mudou o ponto de vista dele e ajudou muita gente a mudar também.

Acredito que seja um bom exemplo, quando na aquisição sísmica damos um shot e logo o barulho  da marreta acertando a placa metálica chega aos nossos ouvidos. Quando a marreta acerta a placa, faz-se com que haja vibração e deslocamento do ar que está ao redor. O ar "fica saltando" para lá e para cá numa dança periódica, em torno de uma frequência Y (exemplo melhor seria com um diapasão ao invés da marreta e a placa). Mas digamos que essa frequência de vibração, o som, pudesse ser vista, e o que se veria, seria na realidade uma curva ondulada com uma aproximação mega-exagerada de uma senoide assim:
Figura 3. Aproximação exagerada da curva

Agora, se ao invés de uma única marretada na placa, fosse algo do tipo com 4 marretadas:



A onda sonora que se sente não é nada aconchegante, e novamente a aproximação exagerada, para essas 4 marretadas poderia ser algo assim:

Figura 4. Bagunça do sinal recebido.
A soma de cada marretada traria o registro dessa última bagunça de sinal no final. Aí está a questão. No dia a dia temos como resposta de sinal essa bagunça apenas. A Transformada de Fourier permite que mudemos nosso ponto de observação, permite que saiamos de um espaço para o outro, porém, toda vez que fazemos essa mudança, vem o tio Heisenberg e faz um adicional de incerteza, deixando a visão embaçada, turva (mas isso é outra conversa).

Figura 5.  Didática de Fourier e a incerteza, mudança do ponto de vista

Dessa forma analisando, por exemplo, um espectro de amplitude, vemos onde se tem maior concentração de energia ou não, e podemos  fazer o bom uso da ferramenta da Transformada de Fourier.

Matematicamente falando (e resumidamente)... É preciso ter em mente o que se conhece como Série de Fourier ( 2pi vs 2L).

Na Figura 6 temos uma função que descreve uma onda quadrada com período igual a 2pi ou 2L, quando isso acontece, é a chamada Série de Fourier (você pode aprender aqui com a tia Ketty Abaroa ). Os índices an e bn são mais fáceis de serem compreendidos (visualmente) numa onda senoidal... mas voltando à Figura 5, vemos no domínio da frequência cada espectro e suas respectivas contribuições, para o espectro total de energia. Portanto, na segunda imagem da Figura 5, quanto mais ondas estão sendo adicionadas\ somadas, mais a resposta resultado do Somatório se aproxima do registrado no Domínio T, esse somatório de an e bn é Série de Fourier.

Figura 6. Série de Fourier.


Quando nos deparamos com funções não-periódicas, saímos da Série de Fourier para a Integral de Fourier em termos de funções simples seno e cosseno.


Figura 7. Integral de Fourier


E novamente, os coeficientes A(w) e B(w) assumem a importância nos momentos de se analisar a contribuição de cada frequência w para o espectro total da energia da função investigada. O gráfico de (A(w) + B(w) em função de w é o chamado espectro de amplitude. O gráfico de (|A(w)|² +|B(w)²) em função de w, é o espectro de potência.

Substituindo os coeficientes A(w) e B(w) na Integral de Fourier, tem-se:

Figura 8. Integral de Fourier e os coeficientes.


Pode-se ainda reescrever de tal maneira da Figura 9 e 10.

Figura 9. Reescrita da função trigonométrica

Figura 10. Reescrita da função em Euler

Pode-se reescrever ainda em função da Forma Complexa da Integral  de  Fourier (Figura 11)

Figura 11. Forma Complexa da Integral  de  Fourier 
Voltando ao meu problema inicial, extraí os dados da plataforma do Global Mapper e fui mudar meu ponto de vista no MATLAB. Bastou analisar o espectro de potência da Figura 12, de modo que as frequências que considerei baixas foram até 13.4*10^(-4) rad/s representando a ABRg e as frequências altas aquelas acima de 13.4*10^(-4) rad/s representando ABRd, e plotado conforme Figura 13.


Figura 12. Análise espectro de potência

Figura 13. Filtragem através de Transformada de Fourier

A filtragem por meio da Transformada de Fourier (do meu ponto de vista) foi mais cautelosa. Guardou aquela frase? Se depois disso tudo você é capaz de também mudar seu ponto de vista em relação aos seus problemas, parabéns.

Faça 3 cortes e  distribua 8 pedaços de queijo, afinal você está com a faca e o queijo nas mãos.








Oziel Araújo
Oziel Araújo, graduando em Geofísica pela Universidade Federal do Pampa - Caçapava do Sul, Brasil. Possui particular interesse no uso dos métodos sísmicos.



Introdução a Geofísica com o Prof. Eder Molina

 
As aulas ministradas pelo Profº Eder Molina do IAG-USP, mostram de forma clara e divertida aos estudantes noções básicas sobre os métodos geofísicos que levaram ao conhecimento da estrutura da Terra em pequena e larga escala, explicando os fenômenos observados, as aplicações e as limitações de cada método, e como as diferentes informações geofísicas podem ser utilizadas para a busca de recursos

Sísmica UFF

 
Cada vez mais o conhecimento da Geofísica tem se popularizado  no cenário mundial. Consoante a essa popularização, notam-se que os chamados Métodos Sísmicos têm assumido grande destaque em relação aos demais métodos, e tal destaque é atribuido principalmente ao impulso fornecido pela indústria do petróleo. Diante dessa perspectiva

Geologia em alta.

 
Recém divulgado no Geofísica Brasil via Portal do Geólogo segue um excelente  texto do geólogo Pedro  Jacobi. Vale a pena conferir!


"Nas minhas empresas os salários de geólogo variam entre R$12.000 a R$46.000 por mês"

"[A Geologia] é muito mais do que um simples salário sendo uma das profissões mais interessantes e plenas que existem"




Nos últimos dias a mídia nacional muito tem falado sobre os salários de Geólogos.

Recentemente a Globo fez uma reportagem colocando o Geólogo como o profissional mais bem pago do mercado com salário médio de R$11.000/mês. Em outras matérias vimos salários acima de 20.000 Reais para Geólogos em

Royalties do Petróleo: Discussões e Polêmicas [2]

 

Como descrito no post anterior a questão da nova distribuição dos royalties do petróleo entre União, Estados e Municípios ainda estava em trâmite no Congresso. Contudo dia 30 de novembro de 2012 a presidente Dilma Roussef se manisfestou em relação ao novo projeto de lei.  Dilma decidiu vetar o artigo 3º do projeto de lei aprovado no Congresso que diminuía a parcela de royalties e da participação especial dos contratos em vigor destinada a estados e municípios produtores de petróleo. Dilma também decidiu editar uma medida provisória na qual destina para a educação 100% dos royalties de estados e municípios provenientes dos contratos futuros de concessão de áreas para exploração de petróleo.


Fartura de Gás e Petróleo: A Rocha Que Mudará o Mundo

 

Em 2002, um representante da indústria de gás apareceu nas terras de  John Willians (um senhor até então pouco conhecido) no distrito de Bradford  (norte da Pensilvânia) na tentativa de arrenda-las (170 dólares) para explorar uma jazida de gás. A desconfiança de Willians fez com que recusasse a proposta do desconhecido representante. Mas em 2006, uma mulher, em nome de outra empresa, fez uma oferta

PARA NUNCA ESQUECER!

 



Vidro do Deserto na jóia de Tutankhamon

 

Em 1996, no Museu Egípcio, no Cairo, o mineralogista italiano Vincenzo de Michele viu uma "mineral"
 verde e amarelo incomum no meio de um dos colares de Tutankhamon. Observou-se que a jóia parecia ser de vidro, no entanto, aquele vidro era mais velho

UFPA forma o primeiro mestre em Geofísica Forense

 

A defesa de tese do primeiro mestre em Geofísica Forense do Brasil. Aconteceu em março na Universidade Federal do Pará. O professor de física Waldemir Gonçalves Nascimento se especializou no uso do GPR e do método eletromagnético slingram, técnicas modernas de investigação de subsuperfície, chão e paredes para descoberta de cadáveres, túneis e armas enterradas.             
                               
                                   
Segundo a Profa. Lucia Maria da Costa e Silva, orientadora da tese, esse e outros trabalhos sobre investigação forense geraram a implantação do primeiro campo de testes geofísicos controlados para prática forense, ambiental e resgate de vítimas de soterramentos do país, o

Royalties do petróleo: Discussões e Polêmicas.

 
A aprovação pela Câmara dos Deputados de uma emenda que muda as regras de distribuição dos royalties do petróleo colocou o governo federal, Estados e municípios diante de uma polêmica envolvendo disputas políticas e interesses regionais. Na semana passada, os deputados decidiram que os royalties - espécie de compensação financeira paga pelos exploradores - devem ser distribuídos de forma igualitária entre todos os Estados e municípios do país. A decisão muda a regra atual, em que Estados e municípios produtores recebem uma parcela maior dos royalties pagos pelas empresas. A emenda aprovada pela Câmara será ainda encaminhada ao Senado, mas a decisão entre os deputados já foi suficiente para deflagrar a polêmica sobre quem deve receber a verba gerada com a exploração do petróleo. 

Maldivas

 
As Ilhas das Maldivas consistem em ilhas de coral, agrupadas em uma cadeia de 26 atóis, ao longo da direção norte-sul, espalhados por cerca de 90 000 km², tornando-as um dos países mais dispersos do mundo. Situa-se entre as latitudes 1ºS e 8ºN e as longitudes 72ºE e 74ºE.
Os atóis são compostos de recifes de corais e barras de areia, situados no topo de uma cordilheira submarina de 960 km de comprimento que se ergue no Oceano Índico e corre do norte para o sul. Próximo do sul dessa cadeia natural de corais, duas passagens permitem a navegação segura de navios de um lado do oceano para outro através das águas pertencentes ao território das Maldivas. Para propósitos administrativos, o governo dividiu os atóis em 21 divisões administrativas. As Maldivas têm um recorde mundial de ser o país com a mais baixa

Profissão: Geofísico

 
O que há embaixo do chão que nós pisamos? É uma coisa que um geofísico poderia responder. A UNIVESP TV vai até a USP conversar com o professor Jorge Luís Porsani, que mostra a formação e o caráter utilitário da profissão em um trabalho experimental de campo. O programa Profissões - Geofísico mostra também o trabalho de Rinaldo Marques, diretor de uma empresa que faz levantamentos geofísicos para várias aplicações, como

O maior geodo de ametista do mundo - Imperatriz do Uruguai

 

 Pesando muito mais que um carro popular, com 2.500kg, o maior geodo de ametista do mundo (3,27 metros de altura) foi encontrado no Uruguai. Depois de ser extraído e trazido para a superfície (que levou quase três meses), a frente desse geodo gigante foi cuidadosamente removida em seções muito pequenas para revelar a beleza que você vê agora.










Oziel Araújo
Oziel Araújo, graduando em Geofísica pela Universidade Federal do Pampa - Caçapava do Sul, Brasil. Possui particular interesse no uso dos métodos sísmicos.


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