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Time is money

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

On 10:42 by Oziel Araujo in ,    Sem comentários

Em 2002, um representante da indústria de gás apareceu nas terras de  John Willians (um senhor até então pouco conhecido) no distrito de Bradford  (norte da Pensilvânia) na tentativa de arrenda-las (170 dólares) para explorar uma jazida de gás. A desconfiança de Willians fez com que recusasse a proposta do desconhecido representante. Mas em 2006, uma mulher, em nome de outra empresa, fez uma oferta
mais apetitosa de 400 dólares por hectare. Com o mercado a ferver em 2007, o telefone de Willians vivia em constante chamada, com alguém fazendo propostas de arrendamento. Por consequência, em 2008, John cede a uma das propostas. Arrendou por  5500 dólares por hectare, mais royalties, que nos picos de produção lhe permite um rendimento  por volta de 15000 dólares ao mês.
A história desse pai de 5 filhos e 55 anos de idade, permite que ele faça parte de uma corrida que está a provocar uma revolução energética nos Estados Unidos, e de certa forma, no mundo.
Ocorre que embaixo das terras de John, há uma imensa placa de xisto, uma formação rochosa  de milhões de anos (batizada de Marcellus) que aprisiona, dentro dela, uma imensa reserva de gás – o chamado gás xisto.
Essa rocha subterrânea é extraordinariamente grande no tamanho e no seu potencial. Estende-se do estado de Nova York a Ohio, passando pela Pensilvânia e Virginia Ocidental. Estima-se que contenha uma das maiores reservas de gás do mundo, que é simplesmente capaz de atender à demanda americana no nível atual por cerca de 100 anos. Por não bastar, a Marcellus está  centrada num dos maiores mercados consumidores de energia do mundo (região metropolitana de Nova York, Filadélfia, Pittsburgh e Boston).
Embora se conheça  há décadas da existência de Marcellus e de seu potencial, extrair o gás da rocha exigia  uma combinação de tecnologia e baixo custo, que se materializou no início da década passada, quando se associou a perfuração horizontal com a técnica do fracturamento hidráulico.
Tem-se que há duas semanas,  essa explosão de acontecimentos relacionados ao petróleo e ao gás de xisto dos Estados Unidos acabou sendo reconhecido no relatório divulgado  pela Agencia Internacional de Energia, em Paris. Segundo o documento, os Estados Unidos serão o maior produtor de petróleo do mundo em 2017, superando a Arábia Saudita e a Rússia , atuais líderes mundiais. Sugere que em 2030, estarão exportando mais petróleo do que importam e, cinco anos mais tarde serão autossuficientes em energia.
Somando-se a exploração das jazidas de petróleo e gás de xisto, o incentivo às fontes de energia limpa (solar e eólica) e as medidas para fazer carros mais econômicos, os Estados Unidos estão vivendo uma abundância de combustíveis fósseis – e falar em autossuficiência deixou de ser aquele sonho distante que os americanos buscam desde o governo Richard Nixon, nos anos 70.
Todavia, não é de se espantar, há um movimento MarcellusProtest.org contra o fraturamento hidráulico, que os americanos chamam de fracking, o qual, ambientalistas  dizem que a nova tecnologia compromete a água potável e a qualidade do ar, e até aumenta o risco de tremores de terra.

Fonte: VEJA
                                              

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