Caçando água no carste: técnicas do petróleo para encontrar aquíferos
Encontrar água em terreno cárstico é quase um jogo de adivinhação: a água corre por fraturas e cavidades dissolvidas na rocha, e um poço feito poucos metros ao lado pode sair seco. Por isso, no meu mestrado na UFPR, a pergunta foi: dá para “afinar” os métodos elétricos para enxergar melhor o aquífero?
Geoelétrica em Francisco Alves (PR), 2017.
Técnicas do petróleo, aplicadas à água
Usamos duas abordagens desenvolvidas originalmente para a exploração de petróleo: a Fonte Eletromagnética Focalizada (FSEM) e o Método Diferencialmente Normalizado (DNM). A ideia é transformar dados comuns de polarização induzida e resistividade, medidos com o arranjo dipolo-dipolo, em um sinal diferencial, sem precisar de inversão.
Ilustração: a combinação dos dados “focaliza” a corrente na vertical, reduzindo o efeito da geologia ao redor.
O que encontramos
A área estudada é um ambiente cárstico cortado por um dique de diabásio. A interpretação conjunta das curvas de FSEM e das seções 2D de IP e resistividade delimitou uma zona condutiva associada ao aquífero, enquanto a magnetometria localizou o dique ao lado.
Magnetometria em Turvo (PR), 2017.
O. Souza de Araújo, E. C. Hindi, A. Rigoti, F. H. Rigoti. Improved imaging of a karst aquifer using focused source electromagnetic and differentially normalized method: a qualitative analysis. Geophysical Prospecting, 67(7), 1965–1976, 2019.
DOI: 10.1111/1365-2478.12795
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Oz Araújo
Geofísico e pesquisador em geofísica aplicada: eletrorresistividade, métodos eletromagnéticos e água subterrânea. Escreve o Estudando Geofísica desde 2012.
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